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EF08ER25MG - DILEMAS ÉTICOS NO CONTEXTO DA PANDEMIA


Vivemos um período complexo e regado de insegurança tanto nas relações e nas emoções, quanto nas tarefas que costumavam passar desapercebidas e que agora nos fazem refletir. Talvez a maior complexidade que temos enfrentado esteja em nossos dilemas diários, em que o momento de crise coloca à prova nossos valores, princípios, escolhas e prioridades.

Esse período é favorável para o surgimento de dúvidas que envolvem as tomadas de decisões de todos os atores da sociedade, como: qual o equilíbrio entre a reclusão e uma economia saudável e ativa? Quando o sistema público atingir sua capacidade máxima, quem poderá ser escolhido para ser salvo? Devemos priorizar a proteção e direitos dos indivíduos ou podemos infringi-los em nome de um interesse coletivo? Os chamados dilemas éticos são moralmente muito complexos de solucionar ou até mesmo insolúveis.

No âmbito econômico, o principal dilema ético está entre: a adoção de políticas para o enfrentamento da pandemia e os desafios de manter a economia ativa e reduzir os impactos econômicos sobre o mercado e evitar o aprofundamento da pobreza, da desigualdade e, no limite, da fome. As empresas também enfrentam seus dilemas equivalentes, entre a sobrevivência financeira e a preservação do quadro de colaboradores e seu bem-estar. O equilíbrio entre as contas e a responsabilidade social é uma equação delicada e se torna mais complexa quanto menor a capacidade financeira.

É função do Estado, em última instância, garantir mecanismos que respondam ao enfrentamento da crise econômica. Um possível alívio ao impasse entre a quarentena e a economia, seria o Estado reduzir os impactos a partir da emissão de moeda e da dívida pública. No entanto, essa decisão impõe um novo desafio, de efeito de médio a longo prazo, que é a política a ser implementada para pagar esse endividamento, em que as consequências são duras e podem ser igualmente complexas.

No campo da saúde, os dilemas éticos são intensificados em um cenário de pandemia e calamidade pública. A demanda por equipamentos, medicamentos e tratamentos se intensificam, o consumo, no limite da disponibilidade (escassez), leva a decisões complexas como decidir quais vidas valem mais para a sociedade, em que o valor social de cada pessoa é medido e avaliado. Não é simples e nem justo deliberar sobre a vida de indivíduos com base em valores sociais, sendo posto um outro dilema a ser enfrentado na tomada de decisão que alivie a consciência individual da escolha.

Sobre a ética digital está um dos dilemas mais complexos a ser compreendido, provavelmente porque não temos dimensão da profundidade que seus impactos possam ter em nossa sociedade. Somos diariamente tentados a ceder às facilidades da tecnologia como resposta e aliada no enfrentamento da crise, sem a total compreensão dos riscos ou do que estamos concedendo. No contexto da pandemia, as soluções tecnológicas nos apoiam a lidar com a quarentena, seja através da comunicação pessoal ou profissional, ou a prestação de serviços à distância, como a telemedicina e os estudos. No entanto, não se pode deixar de refletir entre o equilíbrio das relações de força entre indivíduos e seus direitos e os benefícios da tecnologia.

É essa ferramenta que, ao mesmo tempo em que nos incluiu em uma sociedade reclusa, nos exclui de nossa totalidade, aprofunda nossas desigualdades e provoca desequilíbrios em nossas relações. O compartilhamento de dados para uso do controle da pandemia e a vigilância digital nos colocam outros tantos dilemas. O uso das informações pode ser benéfico para o combate à pandemia, ao mesmo tempo em que pode gerar repúdio ou ferir direitos fundamentais (como usado nos países asiáticos, por exemplo, para monitorar e controlar infectados, além de notificar pessoas que estavam próximas aos infectados).

Os dilemas em um contexto de situações extremas intensificam a luta pela sobrevivência. As reflexões sobre essas questões são importantes, apesar de dolorosas, e fazem parte do processo que enfrentamos. São elas que possibilitarão nos conduzir a compreensão de qual é a sociedade que desejamos ver no futuro.

Se estamos comprometidos com a construção de uma sociedade justa, igualitária e sustentável, nossos parâmetros precisam ser outros além de capital, produtividade, renda e trabalho. Não podemos ser determinados exclusivamente pelas nossas relações econômicas, precisamos retomar o contexto amplo das relações sociais e nos valermos de outras variáveis para estabelecermos novos padrões.

Princípios e valores como a ética, transparência, integridade e respeito devem ser mantidos em quaisquer que sejam as tomadas de decisões, de maneira que nenhuma medida lacere os direitos humanos de cada indivíduo.


Paula Oda, Coordenadora de Projetos de Integridade do Instituto Ethos. https://www.ethos.org.br/conteudo/opinioes-e-analises/dilemas-eticos-no-contexto-da-pandemia/. Acesso em 15/05/2021 - SUGESTÃO: 8º ANO - PET II - SEMANA 1 - PÁG. 178.


SUGESTÃO DE ATIVIDADE:

EF08ER25MG - ÉTICA E PANDEMIA
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